Review AgileBrazil 2010

Recentemente participei do AgileBrazil 2010 em Porto Alegre, evento que reuniu a galera mais pirada e antenada de desenvolvimento de software do Brasil. A minha expectativa era enorme para ouvir, discutir e ver o que a galera estava utilizando de fato; isso tudo porque tomei vergonha na cara e realmente parei de “só falar” e entrei na “onda” com mais alguns doidos de realmente utilizar esse “negócio de ágil”.

O melhor desse evento sem dúvida nenhuma, foram as pessoas, e não as palestras que rolaram. Muito diferente dos eventos de Linguagem que já fui, a galera estava mesmo muito afim de conversar e trocar idéia sem aquelas famosas panelinhas de eventos de Java, é bacana ver pessoas interessadas sobre questões técnicas do dia-a-dia, e deixando aqueles assuntos toscos (“ahh eu uso XP”, “eu uso Scrum”, “agile é lindo e RUP é uma bosta”, “Java é passado”, …) pra lá.

A galera da Bluesoft vez esse resumo em vídeo sobre o evento.


Agile Brazil 2010 from Bluesoft on Vimeo.

Para não deixar esse post do tamanho do mundo, vou comentar rapidamente sobre o que mais me chamou atenção.

Partipei juntamente com o Adriano Bacha do curso de XP ministrado por  6 pessoas (Bruno Pedroso, Dairton Bassi, Daniel Wildt, Giovanni Bassi, Hugo Corbucci e Renato Willi). Toda essa galera falou sobre execução das técnicas XP através de muito bate-papo e dinâmicas, na parte da manhã fizemos um caixa eletrônico (olha só o resultado do projeto) e a tarde programação em par com constante mudança do piloto através de pomodoro. Esse curso valeu cada centavo (é, eu sou mão de vaca).

Houve um espaço democrático no evento chamado “Open Space” onde qualquer um poderia marcar na programação sobre o que estava afim de debater, no tal horário marcado a galera se reunia; Nós (@adrianobacha, @sauloarruda e eu) marcamos um, mas pelo visto ninguém ficou muito afim e resolvemos ir jogar um pouco de PS3 :)

Open Space de Jera

Open space de Imersão Ágil

O workshop “Reconheça! Você não sabe modelar! Iniciando Projetos Ágeis” do Rodrigo Yoshima e Phillip Calçado foi muito legal, basicamente partiu-se da idéia prática de 3 elementos fundamentais para modelar: modelo de domínio, navegação entre telas e protótipo de tela; evidentemente que sem o uso de ferramenta, importando-se assim muito mais com o entendimento do problema por parte do cliente e desenvolvedores. Em grupo demos início a um projeto de troca de figurinhas da copa (tô manjando disso).

Os palestrantes internacionais também detonaram, foi a primeira fez do Martin Fowler aqui no Brasil e ele falou ao melhor estilo britânico sobre a essência do ágil, débito técnico; integração e entrega contínua (nós não tiramos nenhuma foto com ele, pois ele não é muito fã disso); David Husman (0 cara) falou de “Produtos e Pessoas sobre Processo e Dogma”, o cara é muito engraçado e pra mim foi uma das melhores palestras do evento.

Agile Brazil

Apresentação do Martin Fowler

O último Keynote, foi com o Klaus (pioneiro na implantação de práticas ágeis no Brasil). Com muito humor e sacadas genias veio para quebrar tudo, aquela idéiazinha chata de falar “mais do mesmo”, sabem né? Então… o cara é doido varrido, o tema era “Learning and Coolness – Beyond XP” e como ele mesmo disse “como alguma coisa pode ser além daquilo que já é extremo?”; a apresentação foi feita no notepad, ele simplesmente “jogou fora” os cinco valores do XP e incluiu Learning e Coolness, traduzido como aprendizado e “ducaralhisse”; além disso falou muito sobre o lance da entrega contínua e direto em produção.

Já estou aguardando o próximo AgileBrazil, porque com certeza eu irei.

<update> Adicionei algumas fotos no meu álbum </update>

Experiências com Scrum

Aqui na Agence estamos há algum tempo utilizando o framework Scrum em alguns projetos. Porém desde o início do ano estamos em um processo alucinado de Imersão Ágil, todos os projetos estão sendo tocados por “equipes scrum” e todos estão muito motivados.

scrum_barro

No curso que ministrei esses tempos sobre Análise de Requisitos OO no SENAC, falei um pouco sobre isso e como funciona a dinâmica de projetos seguindo a tal abordagem ágil. Uma leitura obrigatória é o livro Scrum direto das Trincheiras do Hering Kninberg, é legal porque ele mostra na prática como está utilizando sem aqueles lenga-lenga de agilistas.

ScrumTodo mundo sempre tem a impressão que entende e que é fácil, mas na verdade o negócio é complicado, não é simples superar as barreiras por parte da equipe e principalmente por parte da empresa… em alguns casos, na minha opinião, é melhor que o product owner (cliente ou aquele antigo profissional chamado “gerente de projetos”) nem saiba que a equipe está utilizando Scrum em seu projeto, mesmo porque muitos seguer sabem o que é isso… péra péra que eu explico melhor. Este é NOSSO Scrum, cheia de “barro” como a imagem acima,  mas é o NOSSO Scrum pois temos que adaptar para o nosso ambiente… nós desenvolvedores temos a chata mania de ficar reclamando da empresa, do seu funcionamento, péssima qualidade em relação aos requisitos… não é mesmo? Eu estou tentando parar com isso! O negócio é criar o melhor ambiente para a equipe, eu acredito no Scrum e em processos ágeis, portanto eu irei utilizar, faremos por onde a equipe se sinta motivada e entenda o que realmente precisa fazer, evidentemente não conseguiremos utilizar muita coisa neste momento, mas estamos adaptando e criando o NOSSO Scrum!

Estamos aprendendo seguindo o lema punk “do it your self” (Faça você mesmo). Temos muita coisa ainda para aprender, errar e melhorar. Mas estou muito motivado, pois finalmente estamos fazendo as coisas acontecerem e parar de simplesmente ler e fazer as coisas pela metade. Não está sendo fácil e com certeza não iremos acertar de primeira. Uma coisa que atrapalhava muito na produção eram os projetos em “eterna Manutenção”, Fernando* e Eu resolvemos dar uma estudada em como aplicar Scrum em projetos de manutenção, e estamos aplicando juntamente com toda a equipe em 15 projetos até o momento, com isso conseguimos liberar a galera para a produção. Fernando criou um post detalhado falando somente como estamos trabalhando com Scrum em projetos de manutenção.

Em breve irei colocar mais relatos por aqui.

*Fernando estudou isso bem mais que eu.